Francisco e Domingos: duas trombetas de Deus!

Nosso Seráfico Pai Francisco conheceu a São Domingos em Roma, no IV Concílio de Latrão. “As suas vidas converteram-se em uma só alma e em um só coração diante de Deus. E isto mesmo desejaram para os seus filhos para sempre.”


À esposa d’Esse que, entre altos brados, na cruz lhe deu o bento sangue em penhor de união, foram dados pela Providência, a fim de lhe robustecer-lhe o ânimo e a fé, dois príncipes (São Domingos e São Francisco de Assis) que a seguissem por toda parte em todas as circunstâncias. Um deles guardou sempre o amor seráfico em relação a ela. O outro por seu saber, espalhou pela terra querúbica fama e glória. Falar-te-ei apenas de um deles, dado que louvar a um é louvar a ambos, pois os dois perseguiram o mesmo ideal.
[…] (Divina Comédia, Paraíso, Cap Xl.)
Em Roma, no IV Concílio de Latrão, nosso Pai São Francisco conheceu a São Domingos. Assim descreve a Vitae Fratrum de Frei Gerard de Frachet, O.P.:

Certo frade menor, virtuoso e digno de crédito, companheiro durante muitos anos de São Francisco contou a alguns irmãos que o bem-aventurado Domingos, enquanto estava em Roma, suplicando a Deus e ao Papa a confirmação da Ordem, certa noite mergulhado na oração, como era seu costume, pareceu-lhe ver Jesus levando em sua mão três lanças. A Virgem Maria, de joelhos rogava-lhe que se compadecesse dos homens e que temperasse a sua justiça com a misericórdia.
Jesus respondia-lhe: Não vês a maneira como me tratam? Pode a minha justiça passar por alto tanto mal?
A Virgem disse-lhe: Tu sabes tudo e sabes que ainda há um caminho pelo qual os homens voltarão a Ti. Tenho um servo fiel, envia-o ao mundo como teu mensageiro. Os homens te buscarão e te confessarão Salvador do mundo, pois o és. Outro servo o ajudará a levar por diante a missão.
Respondeu-lhe Jesus: ‘Agrada-me o que me pedes. Diz-me a quem queres confiar tão difícil missão?’
Foi então que a Virgem Maria apresentou o bem-aventurado Domingos a Jesus, o qual disse: ‘Sei que cumprirás o que dizes.’ Igualmente lhe apresentou o bem-aventurado Francisco.
O bem-aventurado Domingos ficou a contemplar o seu companheiro e, embora o não tivesse visto anteriormente reconheceu-o imediatamente no dia seguinte quando por casualidade o encontrou na igreja. Dirigiu-se a ele, beijou-o, abraçou-o e disse-lhe: ‘Tu és meu companheiro, irás sempre comigo, permaneçamos juntos’.
Contou-lhe a visão que tivera. E as suas vidas converteram-se em uma só alma e em um só coração diante de Deus. E isto mesmo desejaram para os seus filhos para sempre.”

Ainda conserva-se o santo costume de chamar “pai” também a São Domingos, sendo assim “nosso pai Domingos”. Existe, além disso, o antigo costume de que, nas cidades em que estão presentes ambas as Ordens, na festa de nosso Seráfico Pai, presida a celebração um sacerdote dominicano, e na festa de nosso Pai Domingos, um sacerdote franciscano.

“Estas duas Ordens como os dois primeiros rios do Paraíso de Delícia, irrigaram a terra da Igreja universal por sua doutrina, suas virtudes e seus méritos, e a tornam cada dia mais fértil; são os dois serafins que, elevados pelas asas de uma contemplação sublime e de um angélico amor, acima de todas as coisas da terra, pelo canto assíduo dos louvores divinos, pela manifestação dos benefícios imensos que o supremo artífice, que é Deus, conferiu ao gênero humano, trazem sem cessar aos celeiros da Santa Igreja os feixes abundantes da pura colheita das almas resgatadas pelo Precioso Sangue de Jesus Cristo. São as duas trombetas das quais se serve o Senhor Deus para chamar os povos ao banquete de Seu Santo Evangelho!”. (S.S. Sisto IV, 1479)


Mosteiro Maria Imaculada

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